Sorrisus - Clínicas Odontológicas

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26/09/2017 15:14h

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“BENDITA TROMBADA!”

Confira a íntegra da entrevista que Marcelo Miranda concedeu à Revista Tempo, na edição de setembro de 2017. A publicação tem alcance regional, no Estado de Minas, e foi feita pelo jornalista Fredi Mendes.  

"Marcelo Miranda nasceu na cidade mineira de Carangola, mas foi em Manhuaçu que passou toda a infância e grande parte da adolescência. É de lá que guarda as doces memórias de uma época em que se sentia o filho mais querido de dona Graziela Ribeiro Miranda. Tempos em que a melhor diversão era passar os fins de semana na roça com a família ou jogando bola com os amigos. E foi o futebol que fez o rapaz mudar para Belo Horizonte, com apenas 14 anos.  Na capital sonhou com a carreira de jogador, no entanto um chute no nariz o tirou dos gramados. Episódio que, este apaixonado pelo Cruzeiro, considera ter sido o primeiro lance de sorte na vida dele. Com o acidente, mudou, definitivamente, de campo.

O agronegócio transformou a vida do filho de seu José Miranda. Com 18 anos recém-completados, já era um promissor e destacado vendedor de maquinários agrícolas. Em pouco tempo tornou-se um dos mais disputados profissionais do mercado na área em que atuava. A trajetória de sucesso o fez chegar, em 1998, a Montes Claros. Ao lado do empresário Gilberto Gualter, fez da Triama uma das mais importantes empresas do setor no país. Em 2006, a concessionária da Massey Ferguson teve a maior participação de mercado no mundo. A parceria de sucesso terminou em 2008 deixando marcas para sempre em Marcelo Miranda. “Foi a minha grande escola de vida”, resume.

E na escola da vida, Miranda tirou a lição que para empreender são necessários: conhecimento, técnica, muita atitude e uma pitada de sorte. Ingredientes que permitiram a ele, ao lado da esposa, Lílian Souto Moreira, idealizar e inaugurar um novo conceito de Odontologia, a Sorrisus. Da primeira clínica na rua Doutor Veloso, centro antigo de Montes Claros, para o mundo. Em menos de cinco anos, a empresa já tem 219 unidades no Brasil e nos Estados Unidos. A Colômbia e Portugal são os próximos alvos da Saudalys Franchising, empresa criada para administrar marcas como a Sorrisus e Life Clínicas Médicas, esta última o mais novo empreendimento do casal.

Nesta entrevista, você vai conhecer um pouco da vida e dos negócios de Marcelo Miranda. Um executivo que dorme menos de cinco horas por dia, mergulha de cabeça no trabalho, mas que não abre mão de passar os finais de semana ao lado dos filhos e da mulher. Com quatro cursos de Master Business Administration, faz jus à tradução da famosa sigla MBA, é um mestre em Administração de Negócios. Para quem não teve a oportunidade de assistir às palestras dele nem de entrevistá-lo por quase duas horas, segue nas próximas páginas um bate-papo descontraído e com valiosas dicas do que fazer antes de decidir abrir o próprio negócio.

 

TEMPO - Marcelo, onde começou a sua história?

Marcelo Miranda – Eu sou mineiro de uma cidade chamada Carangola, quase na divisa com o Rio de Janeiro, mas vivi pouco tempo lá, mudei com seis meses de nascido. Até completar meus cinco anos, passei por seis cidades diferentes por causa do trabalho, até que um dia, minha família acabou ficando em Manhuaçu, quase na divisa do Espírito Santo.

 

TEMPO – Seu pai trabalhava com o quê?

Marcelo Miranda – Meu pai é de Janaúba. Se não me engano, ele foi o primeiro veterinário de lá. Logo que se formou, mudou, indo trabalhar em cooperativas agrícolas de Minas, por isso não parávamos em lugar algum. Minha mãe era uma grande companheira dele no trabalho, sempre o acompanhou neste processo de crescimento profissional.  Meu grande berço, onde vivi boa parte da minha vida, de fato, foi em Manhuaçu,

 

TEMPO – Chegou a visitar Janaúba quando criança?

Marcelo Miranda – Passei algumas férias em Janaúba, meus avós são de Janaúba e tenho tios que moram, até hoje, lá.

 

TEMPO - Quais as suas melhores lembranças de infância?

Marcelo Miranda – Como meu pai trabalhava muito na zona rural, o campo sempre teve uma ligação muito forte na minha vida. Manhuaçu era um polo cafeeiro extremamente importante, então, todas as minhas lembranças são na roça, nos fins de semana com minha família e meus amigos. O  esporte também foi muito marcante,  eu nadava,  jogava    handball, basquete, vôlei, só que o futebol era minha grande paixão. Eu acreditava firmemente que chegaria aos 50 anos como um esportista de sucesso, tanto é que com 14 anos mudei para Belo Horizonte pra jogar futebol.

 

TEMPO – Sério?

Marcelo Miranda – Eu falo que em Manhuaçu tinham dois garotos bons de bola, eu e meu amigo Alan. Ele era da mesma idade que eu, nós dois fomos para Belo Horizonte jogar futebol juntos na Escolinha do Cruzeiro, meu time de coração.

 

TEMPO – Como foi a experiência?

Marcelo Miranda – Minha grande vantagem foi não ter sido bom o suficiente para seguir carreira. Eu brinco que se tivesse insistido na profissão de jogador de futebol, talvez não tivesse tanta competência para me destacar, é uma área muito difícil. Acho que não teria ido muito longe e talvez tivesse desperdiçado toda uma vida profissional pela frente. O que me salvou foi um chute no rosto.

 

TEMPO – Um chute?

Marcelo Miranda – (Entre risos) Isso, Fredi, um chute! Eu fui cabecear uma bola, o outro jogador tentou tirar e acertou um chute no meu rosto. Bendita trombada! Ao quebrar o nariz, uma porta se fechou, mas uma outra se abriu. Deste momento em diante, decidi mergulhar no trabalho.  Eu tenho um amigo que comentou comigo um filme que assistiu. Nele, um homem desce correndo a escada do metrô para tentar embarcar, quando ele está a poucos centímetros para entrar, a porta se fecha. Daí, o filme se desdobra em dois. Numa história, mostra o que teria acontecido se tivesse pego o metrô, na outra, o que aconteceu por não ter conseguido entrar. São duas histórias completamente diferentes. Quebrar o nariz foi meu primeiro grande lance de sorte.

 

TEMPO - E o seu amigo Alan?

Marcelo Miranda – É por isso que faço um paralelo, Alan era um camarada inteligentíssimo, o melhor aluno da sala e também muito carismático. Ele continuou no futebol, se profissionalizou, mas começou a jogar em times pequenos do interior, foi envelhecendo e virou treinador em uma cidade pequena de Minas. Infelizmente, há dez anos, faleceu em um acidente de carro.

 

TEMPO – Seus pais deixaram você morar sozinho, com apenas 14 anos, em Belo Horizonte?

Marcelo Miranda – Eu tinha parentes lá, acabei morando na casa da minha tia Neli. Ela é minha segunda mãe, minha grande paixão. Uma mulher forte, está com 72 anos. Infelizmente, eu perdi minha mãe há 25 anos, vítima de um AVC. Sem dúvida é a minha pior lembrança de juventude. Eu e ela tínhamos uma relação muito forte, talvez por eu ser o mais velho dos três filhos. Minha mãe tinha um cuidado muito grande comigo, meu coração sente que era o preferido, por isso fui o que mais sofreu com a morte dela. Ainda bem que já havia retornado para Manhuaçu.

 

TEMPO – Voltou para Manhuaçu logo depois que largou o futebol?

Marcelo Miranda – Não, quando joguei na Escolinha do Cruzeiro já trabalhava como office boy numa empresa de máquinas industriais. Depois do nariz quebrado, me dediquei ao trabalho de maneira muito intensa. Em quatro meses me promoveram a auxiliar de venda de peças, em seguida como vendedor e quando completei 18 anos fui convidado para a área de vendas externas, com direito a carro da empresa e tudo mais. Na minha primeira viagem a trabalho, tive outro grande lance de sorte.

 

TEMPO – Qual?

Marcelo Miranda – Na minha primeira viagem como vendedor externo, tive a sorte de encontrar um cliente que comprou das minhas mãos 18 maquinas agrícolas. Naquela época, o faturamento foi brutal, então, acabei me destacando bastante como vendedor. A empresa de Belo Horizonte também tinha uma concessionária em Manhuaçu da Massey Ferguson, fui convidado a ser gerente da unidade do lugar onde cresci. Foi muito bom. Talvez tenha sido um dos mais jovens gerentes dessa empresa, tinha apenas 20 anos.

 

TEMPO – Estava feliz?

Marcelo Miranda – Demais! Foi muito bom o meu retorno, estava me realizando profissionalmente. Não voltei a morar com meus pais, dividi uma casa com dois amigos. Pouco tempo depois, com 21 anos, casei. Neste tempo, a morte repentina da minha mãe me abalou muito, só que segui em frente. Eu fiquei em Manhuaçu até os 25 anos, quando fui chamado para trabalhar com máquinas agrícolas na cidade de Bom Despacho, no Centro-oeste de Minas. 

 

TEMPO – Como aconteceu o convite?

Marcelo Miranda – Naquela época, a concessionária Massey Ferguson de Bom Despacho, a Triama, foi a que mais vendeu no Brasil, a de Manhuaçu, a segunda. Durante uma convenção entre as duas empresas,  acabei sendo convidado para trocar de emprego. Aceitei. Em outubro de 1998, mais uma mudança. Montes Claros entrou na minha vida. Eu e Gilberto Gualter, o dono da Triama, mudamos pra cá, onde uma filial da empresa tinha acabado de ser aberta. Um desafio.

 

TEMPO – Por que um desafio?

Marcelo Miranda – Em 1998, o concessionário de Montes Claros havia falido. A concessão foi comprada pela Triama, porém existiam muitas dúvidas se o Norte de Minas era uma boa região para trabalhar. Os donos da empresa estavam expandindo e decidiram apostar. Deu certo. Muito certo. O Gilberto era dono e eu o diretor responsável, cuidava de toda gestão administrativa e comercial. Em muitos momentos, a Triama daqui chegou a ser maior que as outras. Em 2006, foi considerada a concessionária Massey Ferguson com a maior participação de mercado no mundo. Essa foi a minha grande escola de vida, profissionalmente falando. Uma história de quase 20 anos, em que fiz dois grandes amigos, o Gilberto e o pai dele, o Chiquito. Duas pessoas que admiro tremendamente.

 

TEMPO - O que levou ao fim de tão frutífera parceria?

Marcelo Miranda – Nunca imaginava sair do negócio, não tinha conhecimento fora deste mercado, minhas amizades e meu mundo só existiam ali. Minha negociação financeira com a Triama era muito boa, em função do grande número de vendas que a empresa estava tendo. Eu cheguei a ganhar um salário muito alto. Em um momento, lógico, eles me chamaram para renegociar valores, para mim não era aceitável reduzir aquilo, neste momento, coincidentemente, eu recebi uma proposta para sair do segmento e continuar tendo o mesmo nível de remuneração.

 

TEMPO – Uma guinada...

Marcelo Miranda – Eu saí completamente do agronegócio, do trator agrícola, e fui para o segmento automotivo, dirigir concessionárias de motocicletas Honda. Uma empresa de Janaúba com 12 unidades, a James Moto Shop. Eles também mantinham negócios ligados à criação de gado. Fiquei um tempo, depois recebi uma proposta para fazer parte do projeto de criação de uma rede de eletrodomésticos no Norte de Minas, a DN Eletro. Em maio de 2012, a DN foi vendida para um grupo de Belo Horizonte.  Eu tive uma boa participação financeira no processo, mas daí surgiu uma dúvida: o que fazer?

TEMPO – E o que você fez?

Marcelo Miranda – Eu encomendei uma pesquisa para descobrir quais eram os segmentos de negócios para ser investido no Norte de Minas. A empresa Vecchi Ancona é uma das mais respeitadas do país, especializada em consultoria empresarial. Eles me entregaram um estudo que revelou que a saúde é um dos cinco setores que teria maior possibilidade de crescimento. Nesta mesma época, conheci um projeto de Odontologia, em São Paulo, em que  me foi oferecido uma franquia da marca, comecei a me interessar.

 

TEMPO – O interesse surgiu por causa da sua esposa, que é dentista?

Marcelo Miranda – (Risos) Quando comentei que estava pensando em investir na Odontologia, a Lílian ficou brava e me disse: “Odontologia não dá dinheiro, você me acompanha aqui, vê como é minha dificuldade, a minha vida, não mexe com isso, não!”. Eu expliquei que, talvez, os dentistas convencionais não conseguiam perceber outros caminhos, não tinham uma visão empresarial e administrativa. Com muita dificuldade, comecei a levá-la para conhecer o que a Odontologia tinha para oferecer além de Montes Claros. Visitamos mais de 60 clínicas no Brasil e 30 no exterior. Na mesma época, eu havia acabado de ler o livro “Estratégia do Oceano Azul”, que fala justamente como criar novos mercados. Diante disso, a Sorrisus começava a ser gestada em nossas mentes.

 

TEMPO – Do que trata o livro “ Estratégia do Oceano Azul”?

Marcelo Miranda – É um livro que todo mundo que deseja ser empreendedor deveria ler. Os autores Chan Kim e Renée Mauborgne comparam o mercado a dois oceanos, um vermelho e outro azul. O vermelho é cheio de tubarões, altamente competitivo, um mercado de grandes empresas varejistas, de eletrodomésticos, concessionárias, bancos, redes de farmácias... Quantos supermercados existem em Montes Claros, quantas revendas de automóveis, quantas drogarias? Metaforicamente, é uma disputa de tubarões, sangrenta. Por outro lado, existe o oceano  azul, onde você não tem concorrência, está sozinho no mercado em um mar bem mais calmo e tranquilo. A Sorrisus Clínicas Odontológicas nasceu nesse contexto.

 

TEMPO – Como assim, sem concorrência? A cidade tem um monte de dentistas, a cada ano as faculdades formam dezenas de novos profissionais...

Marcelo Miranda – Eu vou explicar. O dentista estuda cinco anos, faz um monte de especializações para mexer na sua boca, mas ele não tem uma aula de marketing, de gestão, de atendimento mais efetivo. Não basta abrir um consultório moderno no alto de um prédio chique. É preciso pesquisar o mercado, estar próximo do público-alvo, oferecer serviços realmente diferenciados. Quer um exemplo? Pesquisas comprovam que um consultório no 8º andar de um prédio já perde 21% do seu potencial de clientes. Poucos sabem disso. A Sorrisus não, ela nasceu baseada em dados científicos, em números. A minha esposa entrou com a qualidade técnica do negócio, eu trouxe a qualidade de gestão. Essas duas coisas juntas fizeram com que a gente ficasse no oceano azul.

 

TEMPO – Você fala muito em pesquisas, elas são tão importantes assim para um negócio?

Marcelo Miranda – O grande problema do empresário brasileiro é fazer a coisa na percepção, com isso, você tem chances enormes de errar. Pesquisas erram? Erram, mas minimizam muito o risco de tomar um prejuízo. Na Sorrisus, tudo começou assim, aqui tudo é ciência, pesquisado, planejado. Para você ter uma ideia, implantamos um sistema que me fala perfeitamente onde colocar uma clínica. Por meio dele, consegui mapear, em 5570 municípios do Brasil, quais as cidades que cabem uma clínica odontológica. Em Montes Claros, fico sabendo qual a região que comporta uma nova unidade da Sorrisus, se for na região central, qual a melhor rua, qual o melhor quarteirão. Isso é ciência.

 

TEMPO – Os riscos são grandes sem conhecimento?

Marcelo Miranda – Sei de todas as minhas fraquezas e também a minha maior força, que é a atitude. Teoria e conhecimento não servem para nada se não houver atitude. Sei de todas as minhas fraquezas, mas minha maior força é ter atitude para fazer. Por outro lado, atitude sem conhecimento poderá levar para o lugar errado, você estará beirando à irresponsabilidade. É preciso uma união, um casamento entre teoria e prática.

 

TEMPO – Por falar em casamento, você já disse que o sucesso da Sorrisus é fruto da junção da qualidade técnica dela e da sua qualidade de gestão. A parceria deu resultados em todos os sentidos?

Marcelo Miranda – Meu primeiro casamento foi muito cedo, em Manhuaçu, durou apenas seis anos. Quando mudei para Montes Claros, já estava separado. Aqui, casei-me de novo. Eu sou apaixonado por ela, estamos casados há 18 anos, mas, por favor, não me pergunte a data do nosso casamento, porque não vou me lembrar (gargalhadas)...Fredi, não coloque isso, senão vai ter briga (mais risos). O que posso dizer é que além de cuidar de toda a parte técnica da Sorrisus, a Lílian sempre me apoiou, muito antes das empresas. Nunca foi uma mulher que me segurasse,  entende que trabalho de 14 a 15 horas por dia. Além da Sorrisus, cuida de tudo que acontece em casa, para você ter uma ideia, eu não sei o que tem na geladeira. Sem ela na minha vida, certamente, eu não teria conseguido chegar até aqui. É minha grande amiga.

 

TEMPO – Quase não sobra tempo para dedicar à família...

Marcelo Miranda – Eu vou dormir, quase todos os dias, depois da meia-noite, mas levanto às seis da manhã. Quatro ou cinco horas de sono por noite ja são suficientes para eu ficar 100%. Trabalho e viajo muito, mas, para mim, o sábado e o domingo são sagrados. O fim de semana é para minha família. Todo homem, empresário ou não,  precisa saber dividir o tempo, caso contrário,  vai faltar harmonia dentro de casa, e isso atrapalha a vida profissional. Eu tenho um filho de 11 anos que é meu xodó, a gente tem um pacto, todo o aniversário temos que passar juntos, não importa o que estiver acontecendo. Ano passado, a abertura da Feira da Associação Brasileira de Franchising foi dia 21 de junho, a Sorrisus estava participando, mas eu não fui, comemorei o meu aniversário ao lado da minha família.

 

TEMPO – Você tem quantos filhos?

Marcelo Miranda – Eu tenho dois filhos, um genético e outra de coração. O Yan e a Ana Carolina. Ela está com 21 anos, cursa Medicina, é do primeiro casamento da minha esposa. No último Dia dos Pais vivi uma grande emoção. Durante um almoço em casa, ela fez e entregou um texto muito bonito para mim. Nele, ela me pediu para ser adotada e usar meu sobrenome na assinatura dela. Então, sou completamente dedicado a eles. Esta semana mesmo, acordei às quatro da manhã para fazer viagens. Fui pra Salvador e voltei no mesmo dia. Fui para Campo Grande e voltei no mesmo dia. São ritmos muito intensos, se a gente não tiver o apoio da família, não damos conta.

 

TEMPO – O ritmo intenso de trabalho não trouxe problemas de saúde?

Marcelo Miranda – Graças a Deus, até hoje, não. Eu estou acima do peso, mas tenho uma saúde de ferro, faço exames com regularidade. Acredito que puxei a genética da família do meu pai, todos vivem muito e de maneira saudável. Eu sinto falta do esporte hoje, quando dá, pedalo. De vez em quando, faço trilhas nos finais de semana e futebol, quando muito, uma vez por mês. Atividades físicas sempre foram uma paixão, só que neste momento da minha vida tenho priorizado o trabalho, que também é uma paixão. Se eu ficar uma semana na praia, sem fazer nada, enlouqueço.

 

TEMPO – Você é um empresário controlador? Confia em delegar funções?

Marcelo Miranda – (Risos) Eu falo que não, mas as pessoas vão dizer que sim. Minha equipe é maravilhosa, de altíssimo nível. Para você ter uma ideia,  tenho gente trabalhando comigo que foi presidente da unidade brasileira do Banco Morgan Stanley, ex-executivos da Ambev, Johnson & Johnson. Eu brinco com eles e digo que sou o piorzinho da minha turma de negócios. Fico tranquilo para delegar, eu digo “faça, mas faça como se fosse eu”, “olha, não tá no caminho, ou tá no caminho, vamos ajustar isso ou aquilo”. A gente tem uma rotina: de hora em hora, através de um aplicativo, recebo todas as informações, de todas as franquias.

TEMPO – Qual o motivo de tantas viagens pelo Brasil?

Marcelo Miranda – Eu participo diretamente das reuniões com franqueados e das vendas de novas franquias em todo o país.  Sem contar as negociações com fornecedores, agências de publicidade e outros parceiros, como a multinacional americana  Henry Schein Dental, que cuida da construção das clínicas, venda e montagem de equipamentos. A Henry Schein também financia até 70%, em 60 parcelas, para quem tiver interesse numa Clínica Odontológica Sorrisus, sem intermédio de bancos.

 

TEMPO – Por que a Henry Schein  faz isso?

Marcelo Miranda – A Henry Schein é uma grande distribuidora de equipamentos e insumos odontológicos. Quanto mais clínicas abrirem, mais produtos são vendidos. Como o Brasil está em crise, criou-se uma linha de financiamento para manter toda a cadeia produtiva em alta, ela precisa que o setor sempre fique aquecido para manter o volume de negócios em alta. Eles te entregam a Clínica Sorrisus pronta, com 70% do valor financiado em 60 vezes, sem envolvimento com bancos. Esse é um diferencial que só nós oferecemos, um grande impulsionador. Hoje, temos 219 franqueados.

 

TEMPO – Quanto custa uma franquia da Sorrisus Clínicas Odontológicas?

Marcelo Miranda – A menor unidade de uma franquia Sorrisus custa 398 mil reais; a maior, 1 milhão e 100 mil, incluindo toda a tecnologia.  Valores que podem ser financiados em até 70% diretamente com a gente. Entregamos as unidades prontas para funcionar, é o que chamamos de “chave na porta”. Em menos de dois anos, incluindo o pagamento das parcelas, todo o investimento é recuperado. Hoje, temos franquias em 22 estados brasileiros e daqui alguns dias serão abertas outras três nos Estados Unidos. Nosso projeto de expansão não para, a Europa será o nosso próximo objetivo, mais precisamente em Portugal. Na América Latina, um empreendedor da Colômbia já nos procurou. Os franqueados ficam tão satisfeitos com o negócio que 68% deles abrem uma e, logo depois, inauguram outra.

 

TEMPO – Quanto tempo demorou para saber que a franquia seria o seu  maior negócio?

Marcelo Miranda – A nossa primeira Sorrisus foi na rua Doutor Veloso. Pouco antes de completar um ano, já estávamos tendo  um faturamento considerável. Neste momento, tive a certeza de estar no caminho certo, daí decidi abrir outras clínicas na cidade. Todas seguindo os mesmos processos de atendimento. Então, decidimos expandir os negócios com a criação da Saudalys Franchising, em 2015. O nosso modelo de franquia conta com três pilares: alto nível de gestão, alta tecnologia e investimento pesado em marketing. Não tenho dúvidas que implantamos um novo padrão odontológico no Brasil.

 

TEMPO – Além de financiar as clínicas, o que a Saudalys Franchising oferece aos franqueados?

Marcelo Miranda – A realidade é que a grande maioria dos dentistas jamais teria acesso a equipamentos de alta tecnologia nos consultórios, equipamentos que custam milhares e milhares de reais. Isso nós oferecemos através de uma distribuidora que eu chamo de laboratório, presente em uma base em cada estado. Sem contar os treinamentos exclusivos na nossa Universidade para todos os dentistas e funcionários. Para atender aos franqueados, também temos uma agência de publicidade própria e um sistema de gestão que mostra os resultados de cada unidade no Brasil, de hora em hora.

 

TEMPO – Qual o perfil do dentista que trabalha na Sorrisus?

Marcelo Miranda: Nossos profissionais precisam ter, no mínimo, dois anos de formados e de atuação no mercado.  Eles precisam ter experiência. Ao chegarem à Sorrisus, eles são treinados, se adaptam ao nosso modelo de tratamento e, sobretudo, de encantamento do cliente. Temos profissionais que chegam a ganhar 35 mil reais por mês em comissão, sem contar que muitos continuam atendendo nos próprios consultórios. Se o profissional está dando retorno, ele precisa se valorizar. É uma excelente oportunidade para eles. Eu tenho 28 dentistas que trabalham comigo e viraram meus franqueados.

 

TEMPO – Como encantar um cliente prestes a abrir a boca para um dentista?

Marcelo Miranda – Eu contratei o Instituto Disney para treinar os nossos funcionários com os mesmos conceitos de tratamento adotados nos parques de diversões dos Estados Unidos. É o que é chamado de Encantamento Disney. Para a Sorrisus, o cliente não é um paciente, ele é um convidado da empresa. O que fazemos quando um convidado chega em nossa casa? Tratamos bem, ficamos felizes em recebê-lo. Nossa equipe está preparada e estimulada a tratar cada pessoa de forma especial. Uma brincadeira com a criança, uma gentileza com o idoso, a pontualidade, chamar cada convidado pelo nome são detalhes que fazem a diferença. Quem procura um dentista ou médico está com dor física ou na alma, cabe a nós tentar minimizar o sofrimento. O nosso convidado sempre tem razão, até quando não tem.

 

TEMPO – Como assim?

Marcelo Miranda – Fredi, a Sorrisus já atendeu 73 mil pacientes e nunca teve um processo. Sabe por quê? Nós nunca questionamos o motivo de um paciente ter voltado à clínica para reclamar, mesmo que o erro tenha sido dele. Não importa. Vou citar um exemplo: um homem fez uma restauração, pagou 200 reais, no dia seguinte, a restauração caiu depois que ele comeu um torresmo. Ele retornou à Sorrisus dizendo que tinha comido um pão molhado no café e que por isso caiu, nossos atendentes não questionaram, apenas disseram que iria fazer de novo. O rapaz levou um susto, não acreditou, achou que teria que pagar de novo. Lógico que não! A gente não questiona se o problema foi nosso ou não, a gente simplesmente faz de novo. Garantia é uma das marcas do nosso atendimento.

 

TEMPO – Depois da Sorrisus, outras empresas que prestam os mesmos serviços apareceram no mercado norte-mineiro, como a Diquali Odontologia. Como encara a concorrência?

Marcelo Miranda – Quanto mais gente neste segmento melhor, eles são meus colegas no processo, porque também ajudam na divulgação da Odontologia. Infelizmente, 96% das pessoas não vão ao dentista de maneira espontânea, apenas quando sentem dor. Com a Sorrisus e demais empresas da área, os procedimentos estéticos estão sendo divulgados, o que, até então, eram considerados inalcançáveis para a grande maioria da população. A propaganda, seja da Sorrisus ou da Diquali,  mostra que é possível virar outra pessoa após os modernos tratamentos, com isso estamos despertando o desejo delas em procurarem o dentista de maneira espontânea, em algum momento vão vir à minha clínica ou na concorrência.

 

TEMPO – Você é o criador e presidente da Saudalys Franchising, a Sorrisus é a principal marca da empresa?

Marcelo Miranda – A Saudalys é dona das marcas Sorrisus, Life Clínicas Médicas, de um laboratório de próteses dentárias e de uma empresa do setor automotivo chamada Máquina. Só que a Sorrisus ainda é nossa menina dos olhos, a gente quer chegar a 500 unidades, dentro e fora do Brasil. Seguramente, nos tornamos a maior rede de Odontologia do Brasil.  Crescemos tanto que tivemos que abrir uma sede em São Paulo para facilitar a logística dos franqueados de outros lugares do país. A sede de lá ficou muito bem localizada, na Vila Olímpia, uma área nobre da capital paulista.

 

TEMPO – Imaginou que a Sorrisus seria a maior empresa do setor no Brasil?

Marcelo Miranda – Estávamos trabalhando para ter uma boa clínica, mas a experiência deu muito certo, porque conseguimos unir técnica e gestão com um atendimento diferenciado, além, é claro, de uma exclusiva linha de financiamento para os franqueadores. Sem contar as facilidades no pagamento dos tratamentos dentários, sobretudo, os estéticos. Mas uma coisa eu posso garantir: nada foi feito no escuro, tudo bem pesquisado e planejado.

 

TEMPO – Que conselho daria para quem sonha em abrir o próprio negócio.

Marcelo Miranda – É o que já disse: não adianta conhecimento sem atitude; e atitude sem conhecimento é irresponsabilidade, pode dar certo, mas as chances de fracasso são enormes. Eu sou formado em Administração de Empresas por uma faculdade sem expressão, de Manhuaçu, mas depois disso fiz quatro Master in Bussiness Administration (MBAs) em instituições renomadas, a Fundação Getúlio Vargas e o Ibmec. Sou um “piolho” de palestras e congressos para me atualizar. Agora, faço parte de um programa da Fundação Dom Cabral com a Revista Exame. Estou achando fantástico.

 

TEMPO – Que programa?

Marcelo Miranda – Um programa de formação que reúne os presidentes de 16 empresas do Brasil para serem nossos mentores, são nomes  como Alexandre Costa, da Cacau Show, e Maria Luiza Trajano, do Magazine Luiza. Vale muito a pena, cada informação que a gente tem, cada palestra, cada ganho de conhecimento nesses encontros é para a vida toda. É o mesmo que a gente trabalhar com bons profissionais, sempre aprendemos algo. Só que eu repito: de nada adianta teoria sem atitude. Eu sempre reforço isso nas palestras que dou.

 

TEMPO – Ao longo destes quase cinco anos de Sorrisus, alguma história marcou?

Marcelo Miranda -  Minha maior satisfação foi provar que uma franquia idealizada e nascida em Montes Claros poderia gerar emprego, renda e milhões de sorrisos Brasil afora. Só que uma história me marcou profundamente, a de um professor de educação física de Montes Claros.

 

TEMPO – Por que?

Marcelo Miranda - É que aos 43 anos ele nunca tinha namorado porque usava dentadura. O professor nos procurou porque queria fazer implantes odontológicos. O tratamento com minha esposa durou um ano. Um belo dia, numa viagem ao exterior, Lílian recebeu uma ligação dele, dizendo que precisava falar urgentemente, ficamos muito preocupados e pedimos para nos procurar assim que chegássemos. Qual não foi nossa surpresa? Ele nos levou um convite de casamento convidando minha esposa para ser madrinha de casamento. É muito emocionante e gratificante.

 

TEMPO – A frase “Vamos transformar o mundo. Um sorriso de cada vez” , lema da Sorrisus, fez muito sentido no caso desse professor de educação física, não é?

Marcelo Miranda – Fredi, a força do sorriso é surpreendente.  Se você reparar, quando eu converso, uma parte da minha boca é um pouquinho torta. Por que isso? Aos 12 anos, tive um dente que infeccionou. Meu pai me levou ao dentista. Lembro-me como se fosse hoje, a mão do dentista cheirando a cigarro, ele extraindo meu dente. Foi horrível. Aquilo me deixou traumatizado. Eu tinha uma falha bem aqui (mostra exibindo o local na boca). O que eu fazia para disfarçar? Não sorria, ou sorria com a mão na boca. Com o tempo, aprendi a utilizar um método em que eu conversava prendendo um lado da boca, para não aparecer. Quando eu fiz o implante, fiquei mais extrovertido, feliz. Hoje, a Sorrisus transforma a vida  de cada um dos funcionários que a gente emprega, de cada fornecedor,  de cada franqueado que realiza o sonho do próprio negócio e de cada pessoa atendida em uma das nossas clínicas.